terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ensino de Línguas para Crianças

        O ensino de línguas para crianças gera polêmica. Afinal as crianças tem capacidade de aprender uma língua estrangeira em tenra idade? A aprendizagem de outra idioma durante a alfabetização pode prejudicar o desenvolvimento da língua materna?
       As opiniões se divergem, e assim como há aqueles que defendem o ensino de idiomas para crianças, também há aqueles que se opõem, justificando sua postura. 

        Meu objetivo não é concluir a questão, e sim, apenas apresentar alguns pontos de vista distintos.
      Ana Paula de Lima, da UFSC, diz que segundo Castro (1996) acreditava-se que aprender uma segunda língua na fase de alfabetização poderia prejudicar o desenvolvimento da língua materna. Porém, segundo o primeiro princípio da psicologia Vygotskiana, que se refere à relação entre pensamento e linguagem, defende-se que, ao contrário do que muitos imaginavam e ainda imaginam, o aprendizado de uma língua estrangeira na fase de alfabetização contribui para o aprendizado da língua materna.
          Outros autores também acreditam que as crianças apresentam algumas vantagens com relação ao adulto (Hatch, 1983; McLaughlin,1984, apud Assis-Peterson e Gonçalves, 2000/2001), e teorias defendem que o ensino de língua estrangeira para crianças seja viável, como por exemplo, a hipótese do período crítico (Lennenberg, 1967,apud Assis-Peterson e Gonçalves 2000/2001), que estabelece que há um período fixo de até, aproximadamente, 10 anos de idade, duranteo qual o aprendizado de uma segunda língua ocorre naturalmente.
         De acordo com Brown (2001) a diferença primária entre o aprendiz adulto e a criança recai no foco de atenção de ambos. O foco de atenção da criança é espontâneo e periférico, enquanto o adulto consegue conscientemente focar sua atenção nas formas da língua. É por esta razão, principalmente, ressalta o referido autor, que se acredita que a criança não coloca, necessariamente, tanto esforço quanto o adulto para conseguir aprender línguas.
        Mayra Rafaela Closs Bragotto Barros Peterlevitz, embasada em Lev S. Vygotsky, diz que para ele a linguagem humana tem função de comunicação entre os indivíduos ao mesmo tempo em que ordena os acontecimentos cotidianos em categorias conceituais compartilhadas pelos usuários desta mesma linguagem. Em processos de abstração e generalização a criança vai gradualmente nomeando objetos, o que significa colocá-los em uma categoria à qual pertencem outros objetos com características essenciais comuns. A fala e a descoberta do mundo, portanto, ocorrem simultaneamente. Enquanto a criança aprende a se expressar através das palavras, ele descortina a riqueza do ambiente à sua volta. Caso a aquisição de um outro idioma se dê durante a infância, ele participa deste crescimento intelectual, alargando os horizontes de modo mais intenso do que no caso da criança que tem apenas contato com a língua materna.

          O professor Lauchlan Fraser, da Universidade de Strathclyde, na Escócia, o bilinquismo é visto como benéfico na infância, o que vem a ajudar no vocabulário e na compreensão das idéias, além de ativar a atenção seletiva. Sendo assim, acredita ele que é de grande importância os pais incentivarem seus filhos a falarem outros idiomas, o que ajudará e muito no desenvolvimento das crianças. 
          No Jornal Estado de São Paulo, a jornalista Paula Moura apresenta algumas vantagens e desvantagens, técnicas e sugestões, vejamos:
Vantagens
Por volta dos 3 anos, o cérebro da criança está em ótima fase para aprender idiomas. E aprender brincando
torna o ensino e a relação com a língua mais agradáveis. Para os pais, é mais prático chamar um professor em casa.

Técnicas
O aprendizado é facilitado se o ensino é feito a partir do que é útil para a criança se comunicar e da forma em que o idioma materno é aprendido: pela prática em situações concretas e cotidianas.

Desvantagens
Criança perde tempo em que poderia brincar livremente, o que é muito importante para seu desenvolvimento. E, se os pais não têm contato com o idioma ou não estimulam o convívio com ele em outros momentos, o aprendizado pode ser perdido. Além disso, em casa ela perde convívio com outras crianças.

Cuidados
Se o tempo da criança não for respeitado, ela pode criar uma antipatia à língua que pode prejudicar seus estudos futuros.

Veja essa reportagem sobre o tema, que enriquece a discussão: 


                                                                                                                    Por: Brunna Stefanya Leal Lima Cabral

 Referências Bibliográficas

Brown, D.2001. Teaching by Principles. New York: Pearson Education.

Cadernos da Pedagogia - Ano 2, Vol.2, No.3 jan./jul 2008. Páginas 296-297.

CASTRO, Solange T. Ricardo de. ‘As teorias de aquisição/aprendizagem de 2ª língua/língua estrangeira: implicações para a sala de aula’. Contexturas, nº 3, 1996, p. 39 – 46.

ASSIS-PETERSON, Ana Antônia de; e GONÇALVES, Margarida de O. C. ‘Qual é a melhor idade para aprender línguas? Mitos e fatos’.Contexturas, nº5, 2000/2001, p. 11 – 26.

Endereços Viturais

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-44502007000200005
http://www.oficinadanet.com.br/post/8749-falar-mais-de-um-idioma-ajuda-criancas-em-seu-desenvolvimento-intelectual
http://www.webartigos.com/artigos/o-ensino-de-idioma-para-criancas/29767/
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,criancas-pequenas-aprendem-segundo-idioma-em-casa,605490,0.htm

http://www.cadernosdapedagogia.ufscar.br/index.php/cp/article/viewFile/48/41


Um comentário:

  1. Excelente GT 5. O blog criado possui um tema educacional e já temos um texto , imagens e vídeos incluidos...tentem explorar o blog er suas possibilidades educacionais . Muito bom o assunto sobre o ensino de línguas para crianças...

    ResponderExcluir

Não deixe de comentar!